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365 dias

Uma Praia que era deserta e desconhecida a poucos kms de Lisboa

 

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Nem todos os caminhos vão dar à praia do Cavalo ou à praia do Ribeiro do Cavalo, cujo acesso pode ser feito apenas de duas formas: por um trilho terrestre ou por mar.

Chegar a esta praia não é tarefa fácil, sobretudo se optarmos pelo caminho terrestre, mas prometo que no fim vai valer a pena.

Chegados a Sesimbra seguimos na direção do lado poente da vila, onde se situa o Porto de Abrigo.

A partir daqui é seguir de carro pela estrada de terra batida e uns metros mais à frente descer a pé por um trilho difícil e sinuoso, com algumas descidas de inclinação acentuada que terminam no areal.

O caminho não é fácil e requer da parte do caminhante alguma destreza física, resistência e sentido de orientação. São cerca de 30 minutos a andar por um caminho de terra, maioritariamente envolvido por vegetação densa e ladeado por arribas instáveis.

Desaconselho o percurso a pessoas com pouca mobilidade, idosos ou crianças pequenas.

A alternativa ao trilho terrestre é apanhar um barco, mas há também quem chegue à praia de caiaque.

A dificuldade do acesso limita o número de visitantes que mesmo assim, nos últimos anos tem vindo a aumentar. Isto é visto com alguma desconfiança pelos locais e habituais frequentadores desta praia que atribuem aos visitantes a responsabilidade do aumento da poluição na mesma.

Assim que chegamos, logo à entrada encontramos um letreiro que nos diz aquilo que os nossos olhos já constataram “Está numa das praias mais bonitas de Portugal” e se sobreviveu à descida então esqueça por agora o regresso e usufrua deste pequeno paraíso.

 

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O que levar:

- Preparem uma mochila com o essencial, desta forma ficam com as mãos livres para vos ajudar no caminho (principalmente nas descidas).

- Levem água e reservem parte dessa água para o regresso. A praia não tem qualquer tipo de estruturas de apoio e como tal não poderão adquirir nada no local.

- Levem calçado apropriado, uns ténis julgo ser suficiente. Não façam como eu que fui apanhada desprevenida e fui de havaianas.

- Afastem-se das arribas, que são instáveis e nunca se sabe quando pode haver uma derrocada.

- Sigam as pedras marcadas a verde que estão no chão e vos indicam o caminho certo.

- Se possível evitem as horas do calor, uma vez que não há sombras. No caso de irem passar lá o dia levem um chapéu e muito protetor solar.

- Por umas horas, esqueçam os telemóveis, os pokémons, os snapchat e todas as redes sociais, pois aqui raramente vão conseguir rede….. relaxemmmm

- Por último vou escrever o óbvio mas que nunca é demais repetir…. Não deixem lixo na praia e isso inclui as pontas de cigarro…. Lembrem-se que os motivos que vos fizeram ir até esta praia foi precisamente o ser limpa, selvagem e quase virgem…. Contribuam para que se mantenha assim!

 

Respire, mergulhe e usufrua desta pequena maravilha.

 

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E agora o lado negro da coisa:

A curiosidade levou-nos a esta praia. Movidos pelos media e pela enorme publicidade que fizeram à volta dela. Como nós outros tantos e tantos outros foram também até lá. A praia foi perdendo a pureza e a áurea de mistério que a envolviam e faziam dela um lugar tão apetecível, tão especial, capaz de pôr qualquer um a descer a arriba de gatas só para chegar lá abaixo em segurança e poder usufruir daquele paraíso selvagem e quase deserto. Foi assim há uns anos! Agora a realidade é outra.

Apesar da hora tardia a que chegámos ainda havia muita gente por lá. Metade da praia já se encontrava coberta pela sombra do grande rochedo e o sol já não queimava. As temperaturas no entanto mantinham-se amenas e muitas pessoas já estavam de regresso, colina acima num percurso que demora cerca de 30 minutos. Pelo caminho cruzámo-nos com famílias inteiras que esforçadamente carregavam monte acima um conjunto enorme de coisas: chapéus-de-sol, cadeiras, lancheiras, sacos e sacolas, como se estivessem numa praia comum e de fácil acesso. Pais que carregavam ao colo os filhos pequenos e outros que tentavam arduamente manter os miúdos alinhados em fila indiana no trilho estreito e sinuoso. Os miúdos ignoravam as advertências, borrifavam, escapavam e inventavam novos caminhos que faziam resvalar algumas pedras. O pai puxava um, a mãe repreendia outro e a passo de caracol lá iam subindo.

Houve engarrafamento no pequeno trilho….. um verdadeiro engarrafamento!

Ainda não tínhamos chegado à praia e já tínhamos percebido que da pequena praia deserta e desconhecida restava muito pouco.

Apesar dos vários avisos que sinalizam a instabilidade das arribas, vi várias pessoas saírem do trilho e aventurarem-se para as extremidades dos rochedos na ansia frenética e quase psicopata de conseguirem uma foto panorâmica ou uma selfie.

Na praia reparei numa quantidade absurda de beatas espalhadas pelo areal. É inacreditável que isto continue a acontecer e sendo esta praia frequentada maioritariamente por jovens e jovens adultos, cuja formação foi moldada dentro de uma educação virada para a sensibilização ambiental ainda mais injustificável se torna.

O excesso de informação é um pau de dois bicos. Se por um lado nos sentimos todos merecedores destes sítios, por outro lado os factos mostram-nos que nem todos estão à altura deles.

A praia não deixa de ser bonita, as águas não deixam de ser transparentes e verde-esmeralda, no entanto é difícil ficar indiferente a estes pequenos grandes pormenores.

 

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