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365 dias

10 Motivos para passar um fim de semana na Serra da Estrela

 

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O ano passado fui à Serra em Março e falei-vos disso aqui.

Este ano voltei em Abril.

Ainda apanhei um pouco de neve na torre, o que contrastou com as temperaturas altíssimas que se fizeram sentir na região da grande Lisboa, durante essa semana.

A serra é marcada pelos ciclos naturais e cada estação imprime-lhe características muito próprias.

No inverno, a neve e o branco cobrem a paisagem e dão-lhe um encanto especial. Mas é na Primavera e Outono, com temperaturas amenas e cores fabulosas, que a serra se transforma no paraíso para quem gosta da vida ao ar livre e de longas caminhadas no meio da natureza.

Como tenho alguma dificuldade em fazer uma seleção dos sitios mais giros (gosto de tantos), optei por listar 10 bons motivos e algumas ideias para um fim-de-semana na serra.

 

1. Subir à Torre

 

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A torre é o ponto mais alto da Serra da Estrela e também de Portugal Continental.

Com uma altitude de 1993 mt, é aqui que estão situadas as pistas de sky, o teleférico e onde a neve se demora mais. Há também um restaurante e lojas com produtos típicos da região.

Este é um ponto obrigatório para os amantes dos desportos de inverno. Durante o Verão, transforma-se num excelente local para passear e admirar a paisagem serrana.

Em pleno Abril, com um calor abrasador lá para os lados de Lisboa e depois de ter passado a semana inteira a levar a minha filha às aulas de surf em Carcavelos, estava longe de pensar que iria acabar a semana no topo da serra a fazer bonecos de neve.

Já não havia muita, é certo. As pistas estavam fechadas e o leve nevoeiro dava um ar meio misterioso e abandonado à estância, agora local de brincadeiras e muita diversão.

 

2. Observar a paisagem na Lagoa Comprida

 

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A caminho da torre não deixem de visitar a Lagoa Comprida. Com origem glaciar, é a maior lagoa da serra.

A construção da barragem no inicio do século XX, transformou-a no maior reservatório de água e no principal produtor de energia da região.

Aproveitem também para cumprimentar os cães da Serra que por lá andam. São meigos e dedicados aos donos mas, se sentirem a tentação de levar um deles para casa, lembrem-se que são animais grandes e precisam de algum espaço para se desenvolverem.

É um local de paragem obrigatória pelas vistas e riqueza paisagística.

 

3. Admirar a Senhora da Boa Estrela

 

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Na estrada que liga a torre à vila de Manteigas, encontramos esculpida numa enorme rocha uma imagem da Nossa Senhora, conhecida aqui por Senhora da Boa Estrela, padroeira dos pastores da Serra.

A escultura tem mais de 7 metros de altura e está situada no Covão do Boi, a 1850 metros de altitude.

Da autoria de António Duarte, foi inaugurada em 1946, como forma de homenagear a Santa protetora dos pastores da serra, que enfrentam há séculos as intempéries do clima da região.

As festividades de Nossa Senhora da Boa Estrela do Covão do Boi, realizam-se em Agosto, no segundo domingo do mês.

 

4. Passear no Covão D´ametade

 

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Se há sitio que adoro na serra, é este.

O covão d'ametade é um parque natural, localizado a 1425 mt de altitude e atravessado pelo rio Zêzere, que nasce aqui muito perto. Pertence ao concelho de Manteigas e está situado junto à estrada que liga a vila de Manteigas à Torre (km12).

O parque está preparado para receber visitantes, principalmente na Primavera e Verão quando as temperaturas convidam a passeios e piqueniques.

Tem churrasqueiras, mesas, casas de banho, locais para depositar o lixo e zona para acampar.

A paisagem parece tirada de um conto de fadas, com enormes árvores a acompanhar o rio e a pequena ponte em madeira que permite atravessa-lo. No inverno cobre-se de branco e parece que estamos num local tirado de uma passagem de um dos livros de Tolkien.

Quando lá estiverem, olhem para cima e contemplem a imponência e grandiosidade do Cântaro Magro (enorme afloramento granítico).

 

5. Conhecer o Museu do Pão em Seia

 

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Já há algum tempo que tinha curiosidade em visitar o Museu do Pão em Seia, na Quinta do Marrão.

É um museu privado que conta a história do pão, a sua evolução e importância ao longo dos tempos, com maior incidência em Portugal.

Na sua génese esteve o desejo de recolher, preservar e mostrar os objetos inerentes a esta atividade, do ponto de vista etnográfico, social, político, religioso, histórico e artístico.

Está dividido em várias salas expositivas: a sala do ciclo do pão (reconstrução do antigo ciclo tradicional do pão português); a sala da arte do pão (exposição de objetos artísticos inspirados no pão e na sua atividade); a sala do Pão Político, Social e Religioso (reconstituição da história do pão em Portugal, a sua evolução e importância entre 1640 e 1974) e o Espaço temático (sala reservada aos mais novos, com atividades didáticas e uma viagem imaginária ao ciclo do pão).

Para quem tem filhos pequenos a visita começa neste espaço temático, onde o ciclo do pão é explicado aos mais novos de forma sucinta, clara e divertida. No final, as crianças põem a mão na massa e levam uma recordação para casa, feita por elas.

O museu dispõe ainda de um restaurante, de um bar/café biblioteca e de uma mercearia, onde podem comprar pão e produtos típicos da região.

Como curiosidade fiquei a saber que o Museu do Pão em Seia é só o maior Museu do Pão em todo o mundo.

Todas e mais informações aqui.

 

6. Dar um mergulho na Praia Fluvial da Loriga

 

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No final do Verão passado visitei algumas praias fluviais na zona centro do país, que publiquei aqui aquiaqui e ainda aqui.

Agora foi a vez de conhecer a famosa praia fluvial de Loriga.

Localiza-se a 1km da povoação de Loriga, em pleno parque natural da Serra da Estrela.

A praia está bem sinalizada; partindo da aldeia de Loriga, sigam pela EN231 em direção a Alvoco da Serra e vão encontra-la do vosso lado esquerdo.

As águas são cristalinas e a paisagem é de cortar a respiração. Situada num vale glaciar, surge verticalizada em socalcos que formam pequenas piscinas ao longo do curso da ribeira da Courela.

O local dispõe de infraestruturas de apoio na época balnear: parque de estacionamento, balneários, casa de banho, bar, parque de merendas e até um pequeno parque infantil com baloiços.

Já foi distinguida pela Quercus como a praia com “Qualidade d'ouro”. Em 2012 ficou classificada nas 3 primeiras melhores praias no concurso “7 Maravilhas – Praias de Portugal”. Desde então tem merecido a bandeira azul ano após ano.

Se pararem em Loriga, aproveitem para provar o Bolo Negro, típico desta aldeia que, apesar de não ser muito doce, é uma delicia.

 

7. Visitar a Aldeia de Cabeça

 

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A pequena aldeia de Cabeça, pertence à rede de Aldeias de Montanha do Concelho de Seia e está situada a 530 metros de altitude, na margem direita da ribeira de Loriga (afluente do Rio Alva).

Ficou conhecida por ser a aldeia Natal. Isto porque, durante esta época, a aldeia enche-se de festa e animação.

As casas e as ruas são enfeitadas, com elementos provenienes da natureza (giestas, videiras e pinheiros) e luzes. Todo o trabalho é feito pelos moradores da aldeia, que durante a festa abrem as portas de suas casas para receberem os visitantes.

Ainda conserva muitas casas rústicas construídas em xisto.

Por curiosidade, Cabeça foi a primeira aldeia Led em Portugal, utilizando a tecnologia LED (emissão de luz por díodo) na sua iluminação, desperdiçando menos energia.

 

8. Almoçar trutas no Aguincho

 

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Já se imaginaram a pescar o vosso almoço?

No restaurante o Rei das Trutas, em plena serra, a 700 metros da pequena aldeia do Aguincho, isso é possível.

Não pesco nada do assunto, mas adorei a ideia.

O restaurante disponibiliza canas de pesca para quem queira pescar a sua refeição. De seguida o peixe é pesado e pode ser consumido no local ou levado para casa.

Junto à casa que é o restaurante, mesmo atrás da represa, existem vários tanques que não são mais do que os viveiros das trutas. À frente dessa represa está um lago para onde está virada a esplanada do estabelecimento.

A pequena aldeia do Aguincho é mais uma aldeia serrana, pertencente ao concelho de Seia. Está situada na margem direita da ribeira de Alvoco e é uma das cinco aldeias pertencentes à freguesia de Alvoco da Serra, da qual dista 8 km.

A aldeia do silêncio, como inicialmente lhe chamei, é muito pequena, composta por casas rústicas em pedra de xisto, algumas delas em visível estado de abandono e degradação.

Para além da paisagem, a calma que se sente, o silêncio das ruas, as águas e os banhos refrescantes em águas puras e límpidas, as trutas dos viveiros e os dias de puro descanso junto à natureza, não há muito mais a dizer desta aldeia serrana.

 

9. Respirar fundo no Vale de Rossim

 

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A Praia do Vale do Rossim é a praia mais alta de Portugal. Localiza-se junto ao maior vale glaciar da Europa, a 1437 metros de altitude, nas Penhas Douradas, no parque natural da Serra da Estrela.

Na época balnear, junto ao grande lago, há canoas, caiaques e gaivotas para alugar.

Existem também outras atividades que se podem praticar ao ar livre como slide, orientação, passeios pedestres, observação das aves, rappel, passeios de jipe, moto 4 e btt.

No local existe um restaurante, um bar lounge com música e esplanada, wi-fi, parque de campismo, yurts (tendas circulares de origem mongol) e uma imensidão de espaço para abraçar o universo.

 

10. Caminhar até à pedra Cabeça da Velha

 

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A cabeça da velha não é mais do que um afloramento granítico, com a forma de uma cabeça que faz lembrar uma velha.

Está localizada na aldeia Senhora do Desterro, na freguesia de S. Romão.

Á exceção de uma placa no inicio do percurso, o local está mal sinalizado, pelo que aconselho perguntarem na aldeia onde fica.

O caminho é feito por um trilho de terra batida, de inclinação mediana que pode ser feito a pé ou de carro. Vão encontrar muitas capelinhas pelo caminho.

Conta a lenda que na serra do penedo vivia, sob a tutela de um tio, uma jovem rica e bela que se apaixonou por um fidalgo pobre. O amor proibido gerou encontros secretos, ajudados pela velha aia da jovem. A cumplicidade entre a jovem e a aia era tal, que esta afirmou que se algum dia a traísse, desejaria que Deus a transformasse numa rocha.

Quis o destino que a velha aia, debaixo de grandes ameaças do tio, acabasse por trair a jovem, transformando-se assim na rocha que ainda hoje permanece no local.

Na Senhora do Desterro aproveitem para visitar a praia fluvial.

 

E vocês conhecem algum sitio especial na Serra?

 

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Hoje é dia de...

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 Pesos de tear romano no Museu Monográfico de Conimbriga  (Condeixa-a-Nova)

 

... ir a um museu, claro!

 

Com o objetivo de reforçar os laços dos museus com a sociedade, comemora-se mais uma vez o Dia Internacional dos Museus (18 de Maio) e a noite dos Museus (20 de Maio).

HOJE!!! É hoje que podemos entrar nos museus, palácios e monumentos à borla, tudo GRÁTIS... sim, ouviram bem, é gratis e à semelhança do que aconteceu o ano passado, vou aproveitar para conhecer alguns espaços museológicos da minha cidade, a preço 0€.

Para quem ainda não sabe, durante o dia de hoje, todos os Museus, Palácios e Monumentos pertencentes à rede da DGPC (Direção-Geral do Património Cultural) têm entrada GRATUITA. As comemorações prolongam-se até sábado e são acompanhadas por muitas atividades culturais diferentes da oferta habitual, que incluem: animações de rua, visitas temáticas, conferências, debates, espetáculos artísticos e workshops, proporcionando diversas experiências a públicos distintos.

 

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Museu Nacional dos Coches - encerrado a 26 de Abril, reabrirá a 20 de Maio com um novo projecto expositivo (Lisboa)

 

A noite dos Museus, no dia 20 de Maio, com entrada gratuita a partir das 18h00 nos Museus, Palácios e Monumentos da DGPC, é um excelente pretexto para sair de casa e passar uma noite única e diferente com os miúdos que têm um papel de destaque nas muitas atividades culturais preparadas para este dia.

Ressalva para o Convento de Cristo, Mosteiro da Batalha, Mosteiro dos Jerónimos, Museu Monográfico de Coimbra, Torre de Belém e Panteão Nacional que encerram no seu horário habitual.

 Para organizar a vossa visita consultem os programas  aqui e aqui.

 

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Museu Nacional de Arqueologia (Lisboa)

 

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Museu Monográfico de Conimbriga (Cobdeixa-a-nova). Vejam mais aqui

 

Para quem quer fugir ao rebuliço da grande metrópole aqui fica uma sugestão mesmo às portas de Lisboa.

Cascais também se associou à comemoração destas datas, com a organização de muitas atividades entre os dias 16 e 21 de Maio, que contemplam um leque variado de público (desde os mais pequenos, às famílias e público em geral).

Destaque para a subida noturna à torre do Farol de Santa Marta, no dia 20 de Maio entre as 20h00 e as 23h00.

Esta é a única oportunidade do ano para subir ao farol durante a noite e pode ser fotografada livremente.

 

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Farol de Santa Marta (Cascais)

 

São cerca de 90 degraus que nos levam ao cimo da torre de um dos faróis mais emblemáticos desta vila.

E se  tempo ajudar, lá em cima obtemos uma vista única da baía de Cascais, da barra do Tejo e do vasto oceano atlântico. A entrada é gratuita e não necessita de marcação.

Também e ainda neste dia, a casa de Santa Maria, localizada mesmo ao lado do farol oferece um espetáculo de dança e yoga, neste espaço fantástico da autoria do arquiteto Raul Lino.

 

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Farol de Santa Marta e Casa de Santa Maria da autoria do arquitecto Raul Lino

 

Vejam mais informações sobre este dia aqui.

A oferta é muita e variada, o difícil vai ser mesmo escolher por onde começar!

 

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Uma caminhada pelo trilho das Cascatas do Rio Mourão

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Nietzsche dizia que caminhar ajudava a encontrar as ideias e a encontrarmo-nos a nós mesmos.

Verdade ou não uma das resoluções de início de ano foi a de tentar fazer uma caminhada uma vez por semana (no mínimo)... de preferência no meio da natureza.

Este fim de semana não foi exceção e mais uma vez Sintra foi o cenário escolhido.

A caminhada começou junto às cascatas do Rio Mourão em Sintra, estendeu-se pelas suas imediações e durou cerca de 1 hora.

Para quem não conhece, as cascatas estão localizadas no Vale da Ribeira do Mourão (afluente do rio Lizandro), entre as aldeias de Anços e Maceira na freguesia de Montelavar (concelho de Sintra).

Distam 30 km de Cascais e uns 35 km de Lisboa. Para lá chegar basta seguir a estrada que liga Pêro Pinheiro a Negrais, virar para a aldeia de Anços e na rua principal procurar a sinalização indicativa de cascatas, escrita numa pedra.

A partir daqui, depois de estacionar o carro, é só seguir as indicações dos trilhos pedestres.

 

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Por trilhos de terra batida, bem definidos e propositadamente preparados para o efeito, descemos até ao Vale do Rio Mourão.

O piso é bom embora, por vezes, haja alguns troços mais irregulares que podem dificultar o percurso a crianças muito pequenas e pessoas com mobilidade reduzida.

Na área envolvente à cascata encontrámos algumas ruínas de azenhas e restos de mós, representantes genuínos da antiga atividade do local.

Ao chegar lá abaixo somos surpreendidos por um cenário idílico que nunca esperámos encontrar aqui tão perto, mesmo às portas de Lisboa.

 

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O local é maravilhoso.

O verde é a cor dominante e ao fundo no alto do rochedo surge a cascata.

Rodeada de vegetação exuberante a cascata forma à sua frente uma pequena lagoa onde, sob os olhares atentos dos pais, algumas crianças brincam.

 

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Ficámos por ali a ouvir a água cair e a aproveitar o silêncio da hora.

Até que o cenário se transformou em palco de mergulhos, piqueniques improvisados e muitas brincadeiras.

Estava na hora de continuar. Seguimos caminho junto ao rio acompanhados pelo som da água, as cores dos lírios e a presença das pequenas rãs que volta e meia atravessavam o nosso caminho.

 

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O local não é propriamente desconhecido portanto se quiserem usufruir de alguma calma evitem os fins-de-semana.

Levem água, calçado confortável e fato de banho para dar uns mergulhos.

Como curiosidade: o local serviu de cenário ao genérico da novela da TVI “Jardins Proibidos” e a uma das cenas da novela “O Beijo do Escorpião”.

 

Boas caminhadas!

 

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Lanchar em Sintra

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Quando penso no que gosto no Outono vem me automaticamente à cabeça os passeios pela natureza com cheiro intenso a terra molhada, os fins-de-semana com pequenos-almoços demorados que se arrastam pela hora do almoço, os lanches de fim de tarde e os dias coloridos de castanhos e dourados antes da chegada daquela que é a estação mais cinzenta do ano.

E para não fugir à regra este fim-de-semana fomos mais uma vez até Sintra fazer uma caminhada e repor as energias no meio da natureza.

O passeio teve como paragem obrigatória um lanche a meio da tarde no Café Saudade, um dos mais charmosos cafés desta vila.

Localizado na avenida Miguel Bombarda, muito perto da estação de comboios, este pequeno tesouro de Sintra tem a vantagem de se afastar um pouco do coração da vila tornando o espaço mais sossegado do que é habitual por estas bandas (pelo menos nesta altura do ano).

Quem entra no café Saudade é imediatamente invadido por um sentimento nostálgico num reencontro visual com o passado. Reconhecemos uns objectos e relembramos outros que já nem nos lembrávamos da sua existência.

Quando chegámos ainda havia lugar para sentar, espaço para escolher a mesa e tempo para nos atenderem (o que em Sintra é um privilégio).

Já não fomos a tempo do brunch que servem todos os dias e por isso pedimos um chocolate quente, um café afogado e para acompanhar uma fatia de um delicioso bolo de chocolate com frutos silvestres. O chocolate quente era espesso e forte como eu gosto, o café afogado era um reconfortante café com uma bola de gelado finalizado com natas e o bolo era de textura forte e macia, onde se misturavam o doce do chocolate e a acidez dos frutos.

 

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O menu está repleto de coisas boas e apetecíveis como os scones gigantes, os bolos caseiros à fatia que vão variando conforme os dias, as muitas variedades de chá, café, cappuccinos, chocolates quentes e muitas outras coisas que valem bem a pena experimentar.

O café surgiu no edifício da antiga fábrica das queijadas de Sintra ou “Queijadas da Mathilde” da qual manteve a traça original e muitos elementos da sua decoração.

O espaço foi decorado com elementos vintage misturando peças tradicionais do artesanato português com alguns elementos resgatados ao passado, ao tempo onde ali ainda funcionava a fábrica de queijadas da Mathilde (é o caso do balcão de atendimento logo à entrada).

 

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O edifício manteve a traça original e divide-se em pequenas divisões, numa espécie de labirinto com cantos e recantos bem decorados que nos fazem sentir como se estivéssemos em casa.

O ambiente é descontraído e a simpatia dos funcionários não deixa ninguém indiferente que em tom de brincadeira nos desafiaram a decifrar as silabas trabalhadas no tecto da sala principal…. Com alguma ajuda lá chegámos à palavra MA-TH-IL-DE dividida silabicamente pelos 4 cantos da cobertura e que nos remete mais uma vez ao nome da fundadora de uma das mais antigas fábrica de queijadas de Sintra (1888-1974).

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Numa autêntica viagem ao passado parámos no tempo por umas horas, lanchámos, conversámos e enchemos a alma de coisas bonitas.

Bom para matar saudades das memórias de outros tempos.

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Cascais Vila Luminosa

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Running in Circles, Dancing in Waves - quando a luz toma forma e cor e parece ganhar corpo numa dança constante (Largo do Prior)

 

Está a decorrer em Cascais a 5ª edição do Lumina - Festival da Luz e é possível visitá-lo até amanhã.

Nós para não variar descemos até à vila pelo 3º ano consecutivo e deixámo-nos fascinar pelos cenários mágicos e os jogos de luz e cor. 

Durante os quatro dias que dura o evento as principais ruas e alguns parques foram invadidos por animais gigantes, flores luminosas, florestas encantadas, espaços de sombra e luz num percurso que nos leva a percorrer alguns dos pontos mais emblemáticos da vila. 

Existe um mapa e um percurso sequencial que guia os visitantes pelas 22 obras espalhadas num trajeto de aproximadamente três quilómetros.

O evento começa às 20h00 e termina às 24h00 e é gratuíto. Convém chegar cedo para conseguirem ver tudo com calma.

Tal como aconteceu no ano passado gostámos bastante.

 

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Os Coelhos gigantes da australiana Amanda Parer invadiram a baía de Cascais sob o tema Intrude

 

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Fachada da Casa das Histórias da Paula Rego

 

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No Octopus Garden, nos jardins do Museu do Mar podemos observar uma série de jogos de contraste entre luz e sombra

 

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 À esquerda, largo da Câmara projeções num edifício. À direita na fachada da Igreja da Misericórdia são os visitantes que escolhem o tema da projeção através de uma instalação interativa de multimédia

 

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 Adorei os vestidos feitos em fibra óptica que pareciam aparições esvoaçantes no escuro da noite no parque Marechal Carmona (à esquerda). À direita o Garden of Light na Marina de Cascais, junto à fortaleza

 

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No passeio D. Maria Pia, junto à estátua de D. Carlos assistimos a uma representação intitulada "Baile dos Candeeiros" onde os artistas interagem com o publico

 

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Video Mapping nas paredes exteriores da cidadela com a projeção de The Butterfly Light (Turismo de Macau)

 

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No parque Marechal Carmona os efeitos de luz e cor envolvem-nos num ambiente mágico e fazem-nos sentir numa floresta encantada (à esquerda). Já no fim do percurso encontramos uma instalação suspensa e luminosa designada por Photo Sensitive (à direita)

 

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 Espalhadas pelo parque Marechal Carmona as esculturas luminosas de vários animais domésticos e selvagens surpreendem quem passa

 

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Uma Praia que era deserta e desconhecida a poucos kms de Lisboa

 

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Nem todos os caminhos vão dar à praia do Cavalo ou à praia do Ribeiro do Cavalo, cujo acesso pode ser feito apenas de duas formas: por um trilho terrestre ou por mar.

Chegar a esta praia não é tarefa fácil, sobretudo se optarmos pelo caminho terrestre, mas prometo que no fim vai valer a pena.

Chegados a Sesimbra seguimos na direção do lado poente da vila, onde se situa o Porto de Abrigo.

A partir daqui é seguir de carro pela estrada de terra batida e uns metros mais à frente descer a pé por um trilho difícil e sinuoso, com algumas descidas de inclinação acentuada que terminam no areal.

O caminho não é fácil e requer da parte do caminhante alguma destreza física, resistência e sentido de orientação. São cerca de 30 minutos a andar por um caminho de terra, maioritariamente envolvido por vegetação densa e ladeado por arribas instáveis.

Desaconselho o percurso a pessoas com pouca mobilidade, idosos ou crianças pequenas.

A alternativa ao trilho terrestre é apanhar um barco, mas há também quem chegue à praia de caiaque.

A dificuldade do acesso limita o número de visitantes que mesmo assim, nos últimos anos tem vindo a aumentar. Isto é visto com alguma desconfiança pelos locais e habituais frequentadores desta praia que atribuem aos visitantes a responsabilidade do aumento da poluição na mesma.

Assim que chegamos, logo à entrada encontramos um letreiro que nos diz aquilo que os nossos olhos já constataram “Está numa das praias mais bonitas de Portugal” e se sobreviveu à descida então esqueça por agora o regresso e usufrua deste pequeno paraíso.

 

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O que levar:

- Preparem uma mochila com o essencial, desta forma ficam com as mãos livres para vos ajudar no caminho (principalmente nas descidas).

- Levem água e reservem parte dessa água para o regresso. A praia não tem qualquer tipo de estruturas de apoio e como tal não poderão adquirir nada no local.

- Levem calçado apropriado, uns ténis julgo ser suficiente. Não façam como eu que fui apanhada desprevenida e fui de havaianas.

- Afastem-se das arribas, que são instáveis e nunca se sabe quando pode haver uma derrocada.

- Sigam as pedras marcadas a verde que estão no chão e vos indicam o caminho certo.

- Se possível evitem as horas do calor, uma vez que não há sombras. No caso de irem passar lá o dia levem um chapéu e muito protetor solar.

- Por umas horas, esqueçam os telemóveis, os pokémons, os snapchat e todas as redes sociais, pois aqui raramente vão conseguir rede….. relaxemmmm

- Por último vou escrever o óbvio mas que nunca é demais repetir…. Não deixem lixo na praia e isso inclui as pontas de cigarro…. Lembrem-se que os motivos que vos fizeram ir até esta praia foi precisamente o ser limpa, selvagem e quase virgem…. Contribuam para que se mantenha assim!

 

Respire, mergulhe e usufrua desta pequena maravilha.

 

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E agora o lado negro da coisa:

A curiosidade levou-nos a esta praia. Movidos pelos media e pela enorme publicidade que fizeram à volta dela. Como nós outros tantos e tantos outros foram também até lá. A praia foi perdendo a pureza e a áurea de mistério que a envolviam e faziam dela um lugar tão apetecível, tão especial, capaz de pôr qualquer um a descer a arriba de gatas só para chegar lá abaixo em segurança e poder usufruir daquele paraíso selvagem e quase deserto. Foi assim há uns anos! Agora a realidade é outra.

Apesar da hora tardia a que chegámos ainda havia muita gente por lá. Metade da praia já se encontrava coberta pela sombra do grande rochedo e o sol já não queimava. As temperaturas no entanto mantinham-se amenas e muitas pessoas já estavam de regresso, colina acima num percurso que demora cerca de 30 minutos. Pelo caminho cruzámo-nos com famílias inteiras que esforçadamente carregavam monte acima um conjunto enorme de coisas: chapéus-de-sol, cadeiras, lancheiras, sacos e sacolas, como se estivessem numa praia comum e de fácil acesso. Pais que carregavam ao colo os filhos pequenos e outros que tentavam arduamente manter os miúdos alinhados em fila indiana no trilho estreito e sinuoso. Os miúdos ignoravam as advertências, borrifavam, escapavam e inventavam novos caminhos que faziam resvalar algumas pedras. O pai puxava um, a mãe repreendia outro e a passo de caracol lá iam subindo.

Houve engarrafamento no pequeno trilho….. um verdadeiro engarrafamento!

Ainda não tínhamos chegado à praia e já tínhamos percebido que da pequena praia deserta e desconhecida restava muito pouco.

Apesar dos vários avisos que sinalizam a instabilidade das arribas, vi várias pessoas saírem do trilho e aventurarem-se para as extremidades dos rochedos na ansia frenética e quase psicopata de conseguirem uma foto panorâmica ou uma selfie.

Na praia reparei numa quantidade absurda de beatas espalhadas pelo areal. É inacreditável que isto continue a acontecer e sendo esta praia frequentada maioritariamente por jovens e jovens adultos, cuja formação foi moldada dentro de uma educação virada para a sensibilização ambiental ainda mais injustificável se torna.

O excesso de informação é um pau de dois bicos. Se por um lado nos sentimos todos merecedores destes sítios, por outro lado os factos mostram-nos que nem todos estão à altura deles.

A praia não deixa de ser bonita, as águas não deixam de ser transparentes e verde-esmeralda, no entanto é difícil ficar indiferente a estes pequenos grandes pormenores.

 

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Que bem que se está no campo

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Quer seja para passar um fim-de-semana a dois ou para umas férias em família, o Alentejo continua a ser um dos locais de eleição de muitos lisboetas. Desta vez fomos até à barragem do Alqueva, visitar algumas zonas deste grande lago.

Mas hoje não vos vou falar da região, que por si só merece um post, mas sim de um pequeno turismo rural que encontrámos por acaso, enquanto andávamos à procura de um local simpático para passar a noite: a Horta da Coutada.

A Horta da Coutada é uma ótima opção para quem quer passar um fim-de-semana tranquilo na zona da grande albufeira do Alqueva. Está localizada perto do rio, não é excessivamente caro (existem algumas promoções que é preciso estar atento) e é um local muito giro. Calmo e sossegado, foge aos roteiros turísticos ou mais na moda, o que me agrada.

Em pleno Alentejo interior, situa-se no Ferragudo, na aldeia do Telheiro, a cerca de 900 metros do rio e a 1 Km da carismática vila de Monsaraz, onde se come maravilhosamente e se assiste a um fascinante pôr-do-sol.

O edifício foi reabilitado com os materiais tradicionais (pedra de xisto e cal), mantendo a traça original da arquitetura alentejana, com alguns apontamentos mais modernos.

Possui 3 quartos duplos e 2 suites, com casa de banho, ar condicionado, LCD e wireless. Os preços incluem o pequeno-almoço, acesso à piscina, jardim, horta e pomar biológicos, onde é permitido aos hóspedes apanhar para provar alguns frutos da época como os figos, romãs, peras, laranjas, limões doces, entre outros.

A quinta dispõe ainda de dois apartamentos (T1 e T2).

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O pequeno-almoço pode ser tomado no exterior, no alpendre (com vista sobre o jardim, piscina e pomar) ou na Sala do Jardim (antigo estábulo da quinta, agora restaurado e transformado num espaço interior simpático e acolhedor). Simples, delicioso e composto por produtos caseiros (compotas e bolos) e regionais (pão alentejano, queijos e enchidos), pode ser tomado até às 12h30.

 

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Alpendre  

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Vistas da piscina 

 

Os quartos são todos diferentes entre si e possuem uma decoração rústica e bem cuidada, composta por móveis e artesanato local.

No exterior somos envolvidos pelos cheiros frutados e florais. Passeámos pelo jardim que nos levou até ao pomar, visitámos a horta e a antiga nora e terminámos com um mergulho na piscina de água salgada.

 

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A quinta manteve alguns elementos originais, marcos da sua história e antiguidade, como é uma antiga nora, atualmente desativada.

Há redes e algumas áreas de lounge espalhadas pelo espaço para relaxar, ler um livro ou observar os milhares de estrelas que este céu, longe das luzes e da poluição nos oferece.

 

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A Horta da Coutada foi em tempos a quinta que dava apoio de água e bens alimentares às gentes vizinhas e ao Convento da Orada, localizado a uns escassos metros da mesma. 

 

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 Convento da Orada (séc. XVIII) encontrava-se encerrado e vedado ao público.

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 Entre a quinta da Horta da Coutada e o convento da Orada encontramos este cromoleque, representativo da cultura megalítica desta região

 

Destaca-se por último a disponibilidade e simpatia com que fomos recebidos e que nos fez sentir em casa.

 

Até à próxima!

 

Para mais informações consultem aqui 

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Do farnel ao Kitesurf - Uma praia para todos os gostos

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Vista geral da Lagoa de Albufeira

 

Portugal tem sítios lindos, lugares maravilhosos, praias fantásticas.

O fim-de-semana foi de calor, de gelados, de passeios e de praia… ahhh e de muita, muita emoção com a nossa seleção a jogar e a ganhar.

Sábado fomos até à Lagoa de Albufeira.

A praia da Lagoa de Albufeira situa-se no concelho de Sesimbra, na freguesia do castelo, a cerca de 30 km de Lisboa.

É formada por um extenso areal e está separada da Lagoa do mesmo nome por grandes dunas. A lagoa é formada pela água salgada do mar e pela água doce de três ribeiras que ali convergem.

O vento e as águas calmas da lagoa criam as condições necessárias para a prática de alguns desportos como o kitesurf, windsurf, vela, paddle e canoagem.

Para quem tem miúdos é excelente! Do lado da lagoa as águas são calmas e em alguns locais pouco profundas o que permite um dia cheio de brincadeiras, conchas e mergulhos.

É também um excelente local para quem gosta de piqueniques, aproveitando o pinhal que rodeia uma das margens da lagoa.

Vale a pena andar pelo areal, afastarmo-nos da zona da entrada, junto à estrada (sempre com mais pessoas) e procurar um local mais próximo do canal que nos leva ao mar… aí as águas são mais agitadas o que as torna mais limpas e divertidas.

Próxima de Lisboa, mas suficientemente longe para espairecer por umas horas ou um dia, para descansar, pôr a leitura em dia ou simplesmente recarregar as baterias.

Foi um dia bem passado!

 

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Os Palheiros da Costa Nova

 

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Quando se chega à Costa Nova uma das primeiras coisas que salta à vista é o casario colorido que se estende ao longo da marginal, mesmo em frente à ria de Aveiro.

Casas pintadas com riscas vermelhas, verdes, azuis, amarelas, bem estimadas, que dão cor à marginal, localizada entre a Ria e o Oceano Atlântico e que fazem da Costa Nova um lugar de charme do nosso país.

Denominadas por Palheiros da Costa Nova, os mais antigos remontam ao séc. XIX e foram construídos pelos pescadores, com o objetivo de ali guardarem as redes e o material da pesca. Inicialmente com um piso e apenas uma divisão, rapidamente se foram adaptando às necessidades das épocas.

A segunda metade do século XIX trouxe a moda do “ir a banhos” e com isso muitos dos antigos armazéns cresceram em pisos e número de divisões destinados a acolher os que aqui queriam passar o Verão... até chegarem aos nossos dias, como casas de família e de veraneio.

 

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Um passeio que se traduziu em ruas coloridas com casas visivelmente bem cuidadas, um papagaio falante de nome Crispim que nos arrancou umas boas gargalhadas, enquanto percorríamos o passeio em calçada portuguesa, paralelo a uma marginal fantástica trilhada entre o rio e o mar…. do outro lado, a praia da Costa Nova com o seu extenso areal, o mar de águas frias e revoltas que esconde a mansidão e calmaria da ria.

 

 

Localização: A Costa Nova situa-se na linha de costa da Ria de Aveiro , no Município de Ílhavo, na Região Centro de Portugal.

Curiosidades: Anualmente, em agosto, realiza-se o Festival de Marisco da Costa Nova “Ria a Gosto”, com o objetivo de dar a conhecer o marisco e os produtos da Ria.

 

 

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Pelos caminhos de Conimbriga

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Museu Monográfico de Conímbriga - Busto do Imperador Augusto

 

Quando era miúda, Conimbriga estava na lista das visitas de estudo “obrigatórias” para o 7º ano de escolaridade.

Era neste ano que começávamos a ter os primeiros contactos com as civilizações da Antiguidade Clássica e uma ida até Conimbriga era quase um imperativo, como forma de ilustrar no terreno, aquilo que os manuais nos transmitiam de uma forma um tanto ou quanto abstrata.

Atualmente as visitas de estudo são cada vez menores e as teorizações cada vez maiores. As crianças aprendem a ver o mundo através dos manuais escolares, da realidade virtual e há pouco espaço para o mundo real, para aquilo que é palpável e nos transmite sensações.

Os miúdos são sobrecarregados de TPC’s e atividades extra curriculares que lhes moldam os dias e lhes deixam muito pouco tempo para respirar, para ser criança… e a brincar também se aprende!

Juntámos o útil ao agradável e levámos a nossa querida pré-adolescente numa viagem pela cidade romana de Conimbriga.

 

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 Vista geral de Conímbriga com a muralha do Baixo-Império ao fundo

 

Antiga povoação romana, a cidade de Conimbriga é nos dias de hoje um dos sitios arqueológicos mais carismáticos e representativo da presença romana em Portugal.

Está localizada no centro do país, a 16 Km da cidade de Coimbra e a 2km de Condeixa-a-Nova, na freguesia de Condeixa-a-Velha.

As escavações efetuadas no local revelaram que este espaço foi ocupado desde o Neolítico. Mais tarde, por aqui passaram os Celtas e por volta de 138 a.C. assistimos à chegada dos romanos.

Grande parte das construções remontam ao século I a.C. e I d.C., ao tempo do Imperador Augusto.

 

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Ruínas Conimbriga

 

Assim que entramos, deparamo-nos com a via romana que ligava Olisipo (Lisboa) a Bracara Augusta (Braga) e que passava por Conimbriga. Desta estrada, formada por grandes lajes calcárias, resta um pequeno troço, onde ainda é possível ver em algumas partes, as marcas das rodas das carroças que por ali passavam.

Era ladeada por grandes passeios, com pórticos, onde se instalavam alguns estabelecimentos comerciais.

As ruínas contam-nos que inicialmente o recinto urbano de Conimbriga abrangia um território maior e que terá sido reduzido, em finais do séc. III d.C./ inícios do IV d.C., com a construção da grande muralha, ainda hoje visível e em razoável estado de conservação.

Construída entre os finais do século III e princípios do século IV da nossa Era, a grande muralha do Baixo-Império, teve como função a defesa da cidade, provavelmente contra as primeiras invasões bárbaras (séc. III d.C.).

Tinha aproximadamente 6 a 8 metros de altura, 4 metros de espessura e era composta por torreões, escadarias e caminhos de ronda.

 

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 Mosaicos pertencentes à Casa Suástica e Muralha do Baixo-Império ao fundo

 

Isto fez com que algumas das casas pertencentes à cidade ficassem do lado de fora do recinto muralhado. Foi o caso da Casa dos Esqueletos (séc. I ou II d.C), que acabou por ser demolida e os seus materiais reaproveitados para a construção da muralha.

A Casa dos Esqueletos, residência privada com algum luxo, deve o seu nome ao cemitério tardo-romano e medieval, que posteriormente foi construído por cima dos restos da habitação. As sepulturas do cemitério foram as grandes responsáveis pela deterioração e mau estado de alguns dos seus mosaicos.

Durante a visita podemos ver uma grande diversidade de edificações: o fórum, as termas, o aqueduto, o anfiteatro, várias habitações comuns organizadas em quarteirões (insulas), ruas, mosaicos em excelente estado de conservação, alusivos a cenas da vida quotidiana, caça e mitologia, entre outras.

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Pormenores dos pavimentos em mosaicos (motivos geométricos e mitológicos)

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O fórum era o centro da cidade, onde se reuniam os homens mais importantes para debaterem assuntos. Era o centro administrativo, urbano e religioso da cidade.

 

Encontramos também algumas casas senhoriais, pertencentes a famílias mais abastadas. Destaque para a Casa dos Repuxos, escavada em 1939 e considerada o ex-libris de Conimbriga, devido à sua notável arquitetura, aos pavimentos com mosaicos, aos jardins e lagos e a Casa de Cantaber (séc. I d.C.), a maior residência privada encontrada na área escavada, que pertencia a um importante aristocrata.

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Casa Cantaber - vista do peristilo (espécie de corredor coberto e aberto lateralmente, que servia para dar luz e arejar vários compartimentos), muito comuns nas casas romanas (domus) de cidadãos abastados.

 

Classificadas como Monumento Nacional, as ruínas estão abertas ao público desde 1930.

O bilhete dá acesso às ruínas e ao Museu Monográfico de Conimbriga, fundado em 1962.

No Museu, exclusivamente dedicado ao sítio arqueológico, encontramos uma enorme diversidade de objetos provenientes das escavações do local, efetuadas ao longo do século XX.

Dispostos em montras envidraçadas e bem iluminadas, o museu concentra o espólio das escavações, contextualizando as ruínas através da exposição de um conjunto de objetos e utensílios, ilustrativos das várias vertentes da vida desta cidade.

 

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 Museu Monográfico de Conímbriga - Fragmento de estátua que pertencia ao Forúm (esq.) e fragmento de inscrição (dir.)

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Museu Monografico de Conímbrica -  Lamparinas de azeite ou lucernas (usadas para iluminar espaços domésticos) (esq.) e Pesos de tear romano (dir.)

  

Desta vez a visita não foi de estudo, mas foi obrigatória para miúdos e graúdos!

 

 

Outras Informações:

Para nos ajudar na visita à cidade romana, todo o percurso está identificado com pequenas placas que nos fornecem informações (datas de edificação, descoberta, escavação e curta descrição), tornando percetíveis alguns pormenores que nos possam passar ao lado.

Se preferirem ou forem dados às novas tecnologias, podem instalar no vosso telemóvel, a aplicação JiTT.Travel que permite fazer uma visita guiada pelo recinto, possibilitando gerir o tempo e os percursos disponíveis. Para além de ser made in Portugal, a aplicação é gratuita e está disponível para Android e Apple.

 

Curiosidades:

Em 2015 o jornal The Guardian colocou Conimbriga na lista das 10 ruínas mais bonitas e menos conhecídas do mundo ("10 of the best ancient ruins … that you’ve probably never heard of", Aqui).

Da lista constam também as ruínas de Koh Ker, no Camboja; a cidade inca de Choquequirao, no Peru; Ani, na Turquia; Han Yangling, na China; Pella, na Jordânia; a necrópole do Vaticano, em Itália; Takht-e Soleyman, no Irão; Fatehpur Sikri, na Índia; e Pula, na Croácia. 

 

Horário

Museu e Ruínas – aberto todo o ano, de segunda a domingo, das 10h00 às 19h00.

Bilhete normal: 4,50€

Bilhete familiar de 2,50€ para um casal com duas crianças.

Crianças menores de 12 anos: gratuito.

O estacionamento é gratuito e dispõe de um serviço de bar e restaurante.

Site: http://www.conimbriga.pt/index.html

 

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