Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

365 dias

Photo Blog

Pelos caminhos de Conimbriga

coninbriga1NET.jpg

Museu Monográfico de Conímbriga - Busto do Imperador Augusto

 

Quando era miúda, Conimbriga estava na lista das visitas de estudo “obrigatórias” para o 7º ano de escolaridade.

Era neste ano que começávamos a ter os primeiros contactos com as civilizações da Antiguidade Clássica e uma ida até Conimbriga era quase um imperativo, como forma de ilustrar no terreno, aquilo que os manuais nos transmitiam de uma forma um tanto ou quanto abstrata.

Atualmente as visitas de estudo são cada vez menores e as teorizações cada vez maiores. As crianças aprendem a ver o mundo através dos manuais escolares, da realidade virtual e há pouco espaço para o mundo real, para aquilo que é palpável e nos transmite sensações.

Os miúdos são sobrecarregados de TPC’s e atividades extra curriculares que lhes moldam os dias e lhes deixam muito pouco tempo para respirar, para ser criança… e a brincar também se aprende!

Juntámos o útil ao agradável e levámos a nossa querida pré-adolescente numa viagem pela cidade romana de Conimbriga.

 

conimbriganet5A8819.jpg 

 Vista geral de Conímbriga com a muralha do Baixo-Império ao fundo

 

Antiga povoação romana, a cidade de Conimbriga é nos dias de hoje um dos sitios arqueológicos mais carismáticos e representativo da presença romana em Portugal.

Está localizada no centro do país, a 16 Km da cidade de Coimbra e a 2km de Condeixa-a-Nova, na freguesia de Condeixa-a-Velha.

As escavações efetuadas no local revelaram que este espaço foi ocupado desde o Neolítico. Mais tarde, por aqui passaram os Celtas e por volta de 138 a.C. assistimos à chegada dos romanos.

Grande parte das construções remontam ao século I a.C. e I d.C., ao tempo do Imperador Augusto.

 

conimbriga5A8695.jpgconimbriga5A8651.jpg

Ruínas Conimbriga

 

Assim que entramos, deparamo-nos com a via romana que ligava Olisipo (Lisboa) a Bracara Augusta (Braga) e que passava por Conimbriga. Desta estrada, formada por grandes lajes calcárias, resta um pequeno troço, onde ainda é possível ver em algumas partes, as marcas das rodas das carroças que por ali passavam.

Era ladeada por grandes passeios, com pórticos, onde se instalavam alguns estabelecimentos comerciais.

As ruínas contam-nos que inicialmente o recinto urbano de Conimbriga abrangia um território maior e que terá sido reduzido, em finais do séc. III d.C./ inícios do IV d.C., com a construção da grande muralha, ainda hoje visível e em razoável estado de conservação.

Construída entre os finais do século III e princípios do século IV da nossa Era, a grande muralha do Baixo-Império, teve como função a defesa da cidade, provavelmente contra as primeiras invasões bárbaras (séc. III d.C.).

Tinha aproximadamente 6 a 8 metros de altura, 4 metros de espessura e era composta por torreões, escadarias e caminhos de ronda.

 

conimbriga5A8481.jpg

 Mosaicos pertencentes à Casa Suástica e Muralha do Baixo-Império ao fundo

 

Isto fez com que algumas das casas pertencentes à cidade ficassem do lado de fora do recinto muralhado. Foi o caso da Casa dos Esqueletos (séc. I ou II d.C), que acabou por ser demolida e os seus materiais reaproveitados para a construção da muralha.

A Casa dos Esqueletos, residência privada com algum luxo, deve o seu nome ao cemitério tardo-romano e medieval, que posteriormente foi construído por cima dos restos da habitação. As sepulturas do cemitério foram as grandes responsáveis pela deterioração e mau estado de alguns dos seus mosaicos.

Durante a visita podemos ver uma grande diversidade de edificações: o fórum, as termas, o aqueduto, o anfiteatro, várias habitações comuns organizadas em quarteirões (insulas), ruas, mosaicos em excelente estado de conservação, alusivos a cenas da vida quotidiana, caça e mitologia, entre outras.

conimbrigab5A8594.jpgconimbriga5A9018.jpg

Pormenores dos pavimentos em mosaicos (motivos geométricos e mitológicos)

cvonimbriga5A8964.jpg

O fórum era o centro da cidade, onde se reuniam os homens mais importantes para debaterem assuntos. Era o centro administrativo, urbano e religioso da cidade.

 

Encontramos também algumas casas senhoriais, pertencentes a famílias mais abastadas. Destaque para a Casa dos Repuxos, escavada em 1939 e considerada o ex-libris de Conimbriga, devido à sua notável arquitetura, aos pavimentos com mosaicos, aos jardins e lagos e a Casa de Cantaber (séc. I d.C.), a maior residência privada encontrada na área escavada, que pertencia a um importante aristocrata.

conimbriga5A8751.jpg

Casa Cantaber - vista do peristilo (espécie de corredor coberto e aberto lateralmente, que servia para dar luz e arejar vários compartimentos), muito comuns nas casas romanas (domus) de cidadãos abastados.

 

Classificadas como Monumento Nacional, as ruínas estão abertas ao público desde 1930.

O bilhete dá acesso às ruínas e ao Museu Monográfico de Conimbriga, fundado em 1962.

No Museu, exclusivamente dedicado ao sítio arqueológico, encontramos uma enorme diversidade de objetos provenientes das escavações do local, efetuadas ao longo do século XX.

Dispostos em montras envidraçadas e bem iluminadas, o museu concentra o espólio das escavações, contextualizando as ruínas através da exposição de um conjunto de objetos e utensílios, ilustrativos das várias vertentes da vida desta cidade.

 

conimbriga5A9256.jpgconimbriga5A9131.jpg

 Museu Monográfico de Conímbriga - Fragmento de estátua que pertencia ao Forúm (esq.) e fragmento de inscrição (dir.)

2K5A9136.JPGconimbriga5A9207.jpg

Museu Monografico de Conímbrica -  Lamparinas de azeite ou lucernas (usadas para iluminar espaços domésticos) (esq.) e Pesos de tear romano (dir.)

  

Desta vez a visita não foi de estudo, mas foi obrigatória para miúdos e graúdos!

 

 

Outras Informações:

Para nos ajudar na visita à cidade romana, todo o percurso está identificado com pequenas placas que nos fornecem informações (datas de edificação, descoberta, escavação e curta descrição), tornando percetíveis alguns pormenores que nos possam passar ao lado.

Se preferirem ou forem dados às novas tecnologias, podem instalar no vosso telemóvel, a aplicação JiTT.Travel que permite fazer uma visita guiada pelo recinto, possibilitando gerir o tempo e os percursos disponíveis. Para além de ser made in Portugal, a aplicação é gratuita e está disponível para Android e Apple.

 

Curiosidades:

Em 2015 o jornal The Guardian colocou Conimbriga na lista das 10 ruínas mais bonitas e menos conhecídas do mundo ("10 of the best ancient ruins … that you’ve probably never heard of", Aqui).

Da lista constam também as ruínas de Koh Ker, no Camboja; a cidade inca de Choquequirao, no Peru; Ani, na Turquia; Han Yangling, na China; Pella, na Jordânia; a necrópole do Vaticano, em Itália; Takht-e Soleyman, no Irão; Fatehpur Sikri, na Índia; e Pula, na Croácia. 

 

Horário

Museu e Ruínas – aberto todo o ano, de segunda a domingo, das 10h00 às 19h00.

Bilhete normal: 4,50€

Bilhete familiar de 2,50€ para um casal com duas crianças.

Crianças menores de 12 anos: gratuito.

O estacionamento é gratuito e dispõe de um serviço de bar e restaurante.

Site: http://www.conimbriga.pt/index.html

 

Instagram

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Sobre Mim

Olá! Criei este espaço para partilhar momentos, fotografias, viagens e locais que vou conhecendo. Todas as fotos publicadas são da autoria do 365dias... espero que gostem!

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D